I Encontro – Fórum do Grupo de Leitura “Nêgo Bispo – A Terra Dá, A Terra Quer”

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    Avatar de DesconhecidoCLAREC.org
    Convidado

    Neste encontro inicial, partilhamos um vídeo com a fala de Nêgo Bispo e abrimos um primeiro espaço de escuta, aproximação e troca de impressões sobre sua trajetória, seu pensamento e sua obra. Este tópico permanece aberto como convite para que as pessoas participantes sigam partilhando percepções iniciais, comentários, questões e ressonâncias provocadas por esse primeiro contato com “A Terra Dá, A Terra Quer.
    #9013 Responder
    Avatar de DesconhecidoPaula Renata Santos de Paiva
    Convidado

    O livro “A Terra Dá, A Terra Quer”, de Nego Bispo, apresenta, já nos três primeiros capítulos, uma ruptura profunda com as formas tradicionais de pensar a relação entre ser humano e natureza. O autor não escreve apenas para informar, mas para provocar deslocamentos: ele convida o leitor a desaprender lógicas coloniais e reaprender com os saberes ancestrais dos povos da terra.

    No primeiro capítulo, percebe-se um movimento de reposicionamento ético. A terra não é tratada como recurso, mas como entidade viva, que oferece e, ao mesmo tempo, exige respeito, cuidado e reciprocidade. Nego Bispo constrói uma crítica consistente ao modelo capitalista de exploração, evidenciando como essa lógica rompe ciclos naturais e compromete a continuidade da vida. Aqui, o verbo “dar” não é sinônimo de disponibilidade infinita, mas de generosidade condicionada à relação de equilíbrio.

    No segundo capítulo, o autor aprofunda a ideia de pertencimento. Ele desloca o ser humano do centro e o reinsere como parte de um sistema maior, onde tudo está interligado. Esse pensamento dialoga fortemente com epistemologias afro-indígenas, nas quais viver não é dominar, mas coexistir. A terra, nesse sentido, ensina — e esse ensinamento não se dá por livros formais, mas pela experiência, pela oralidade e pela convivência comunitária.

    Já no terceiro capítulo, emerge uma dimensão política mais explícita. Nego Bispo denuncia os impactos da colonialidade sobre os territórios e os modos de vida tradicionais, mostrando como o rompimento com a terra é também um rompimento com a memória, com a identidade e com a autonomia dos povos. Ao mesmo tempo, ele aponta caminhos de resistência, ancorados na coletividade, na ancestralidade e no cuidado com o território.

    De forma geral, esses capítulos iniciais constroem uma base conceitual potente: a terra não é objeto, é sujeito de relação. O livro propõe uma ética da reciprocidade que desafia diretamente os modelos educacionais e sociais hegemônicos. Para o campo da educação — especialmente quando pensamos em práticas que valorizam saberes afro-brasileiros e indígenas —, a obra se torna um chamado à transformação curricular, convidando a escola a reconhecer a terra como mestra e os povos tradicionais como guardiões de conhecimentos fundamentais para a continuidade da vida.

    #9014 Responder
    Avatar de DesconhecidoPaula Renata Santos de Paiva
    Convidado

    No livro que brota da terra,
    com saber ancestral no pé,
    fala forte Nego Bispo,
    com a verdade que o chão é.
    “A Terra Dá, A Terra Quer”
    não é só verso bonito,
    é chamado pra escutar
    o que o mundo tem escrito.

    No primeiro ensinamento,
    a terra é mãe, não é objeto,
    não se vende, não se explora,
    se cuida com afeto certo.
    Ela dá o que sustenta,
    mas também sabe cobrar,
    se o homem esquece o respeito,
    a vida pode faltar.

    No segundo, vem dizendo
    que ninguém vive sozinho,
    tudo dança junto e cresce
    no compasso do caminho.
    Ser da terra é pertencer,
    não mandar nem dominar,
    é ouvir cada raiz
    e com o tempo aprender a amar.

    Já no terceiro capítulo,
    a denúncia vem ligeira,
    mostrando a dor dos territórios
    feridos pela maneira
    que o poder colonizador
    quis calar tradição,
    mas o povo resiste firme
    com memória e união.

    Assim canta esse cordel,
    com verdade e consciência:
    quem escuta a voz da terra
    reaprende a existência.
    Pois a terra dá sustento,
    mas também quer proteção,
    e só vive em harmonia
    quem cultiva relação.

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