Reading Group

The reading group, supported by the Cambridge Latin American Research in Education Collective (CLAREC), was established in 2021 as an initiative proposed by CLAREC co-founder member Consuelo Béjares to create a space for reading and dialogue centered on The Idea of Latin America by Walter Mignolo, a provocative work that inspired deep reflection within our Latin American collective. At the conclusion of these dialogic sessions, we invited Professor Walter Mignolo to engage with us in a discussion on our reflections from the book.

Later that same year, during the Paulo Freire Conference—an initiative organized by CLAREC to celebrate the centenary of the Brazilian educator’s birth—we organized another reading session within the group to explore and discuss Pedagogy of the Oppressed. At that time, three groups were formed: one in-person in English and two virtual, in Portuguese and Spanish. Following this celebration, a group of scholar participants, including Maíra Tavares Mendes, Alexandre Da Trindade (CLAREC co-founder member), João Paulo Reis Soares, Fátima Maria da Rocha Souza, Raquel Garcia, Glaura Oliveira, Stephanie Cisz decided to continue this space for reading and dialogue, broadening the scope to include works that address contemporary and critical issues, always connected to social justice. Later, Nina Lys and Marco Túlio Botelho joined in the curation and organization of the reading group.

Inspired by sentirpensar (or sensingthinking) approach, the space goes beyond intellectual discussions and invites participants to share their emotions related to the readings. It is a safe and democratic environment where anyone, regardless of academic background or experience, can participate and contribute their reflections. The meetings are held virtually via Zoom every two weeks, with readings of approximately 30 pages per session. The choice of readings takes accessibility into account, ensuring that people without the means to purchase books can fully participate. Sessions last between one hour and one and a half hours and are facilitated by two or three moderators who encourage dialogue without directly presenting the books’ ideas, allowing participants to freely express their perceptions.

The group’s current activities are bilingual, conducted in Portuguese or Spanish, and participants are encouraged to speak slowly to facilitate effective communication between speakers of both languages. Readings have included influential works such as Pedagogy of the Oppressed and Extension or Communication by Paulo Freire; The Wretched of the Earth and Political Writings by Frantz Fanon; Ideas to Postpone the End of the World and Ancestral Future by Ailton Krenak; Teaching to Transgress, Teaching Community, and Teaching Critical Thinking by bell hooks; and The Falling Sky by Davi Kopenawa and Albert Bruce. For The Falling Sky, the group hosted a special event featuring Indigenous representatives and members of Teatro Oficina, deepening engagement with the text through direct dialogue and performance. Recordings of these enriching sessions are available on CLAREC’s YouTube channel.

Over the past three years, the reading group has expanded considerably, now counting over 1,000 registered participants across its various sessions. Communication and updates about meetings and reading materials are shared through a dedicated WhatsApp group. Currently, the group is preparing to address one of the most pressing crises of our time, centering on the situation in Palestine and the genocide being carried out by the Zionist state of Israel. A selection of readings will be chosen in collaboration with Rawa Alsagheer, a political activist and coordinator of the Samidoun Palestinian Prisoner Solidarity Network.


We invite you to join us for another journey of reflection and dialogue in our CLAREC Reading Group, this time around the book “A Terra Dá, a Terra Quer” by Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo), starting on 16 March. The reading group is open to all, with online meetings and discussions held in Portuguese and Spanish. Please access the registration form for more information and to sign up: https://bit.ly/NEGOBISPO

Abrimos uma nova leitura coletiva em diálogo com ”A Terra Dá, a Terra Quer”, do Mestre Nêgo Bispo, pensador quilombola e lavrador de palavras, cuja reflexão tensiona o colonialismo, a relação com a terra e os modos de viver. Este é um espaço aberto, horizontal e sentir-pensante. Não exige formação prévia nem familiaridade acadêmica. Importa a disposição para ler, escutar e dialogar.

Serão 5 encontros online e quinzenais.

📍 Início: segunda-feira, 16 de março, às 19h (horário de Brasília)

💻 Formato: online, gratuito

👉 Inscrição gratuita: https://bit.ly/NEGOBISPO

Preencha o formulário de inscrição para receber todas as informações e o link de acesso aos encontros on-line.

Sobre o livro ”A Terra Dá, a Terra Quer”

Contracolonização é o conceito-chave desta obra de Antônio Bispo, que contrapõe de forma desconcertante o modo de vida quilombola ao da sociedade colonialista.

Com uma linguagem própria, de palavras “germinantes”, o autor oferece um olhar urgente e provocador sobre os modos de viver, habitar e se relacionar com os demais viventes e com a terra. A partir da Caatinga brasileira, mais especificamente do Quilombo Saco Curtume, no Piauí, Bispo denuncia a cosmofobia – o medo do cosmos que funda o mundo urbano eurocristão monoteísta – e empreende uma guerra das denominações, enfraquecendo as palavras dos colonizadores. Desafiando o debate decolonial, compreendido por ele como a depressão do colonialismo, propõe a contracolonização, um modo de vida ainda não nomeado e que precede a própria colonização. Não se trata de um pensamento binário, mas de um pensamento fronteiriço e “afro-pindorâmico” para compreender o mundo de forma “diversal”, integrado por uma variedade de ecossistemas, idiomas, espécies e reinos.

A terra dá, a terra quer registra de modo inédito muitos dos saberes transmitidos pela oralidade por esse “lavrador de palavras” acerca do agronegócio, das cidades, das favelas, dos condomínios fechados e da arquitetura. Transitando por muitos mundos, Bispo semeia potentes traduções de questões cruciais para o nosso tempo como ecologia, clima, energia, trabalho, cultivo e alimentação. Diante da mercantilização da vida e dos saberes, este livro compartilha a força ancestral da circularidade começo, meio e começo.

🗓️ Encontros:

• 16/03 — Nêgo Bispo por ele mesmo (falas, vídeos e diálogo de abertura)
• 30/03 — Semear palavras; Cidades e cosmofobia (pp. 9–34)
• 13/04 — Somos compartilhantes; Arquitetura e contracolonialismo (pp. 35–76)
• 27/04 — Colonialismo de submissão; Criar solto, plantar cercado (pp. 77–106)
• 11/05 — Encerramento: Nêgo Bispo por nós — encontro ampliado com convidadas e convidados em diálogo com o pensamento de Nêgo Bispo (a confirmar)

🎙 Mediação: Fátima Souza , Maria de Los Angeles , Marco Túlio , Daniela Mussi & Alexandre Da Trindade 

A participação é livre. O convite é aberto e pode ser compartilhado.

📩 Quem tiver dificuldade em acessar o livro pode solicitar empréstimo:
clarec.cam.edu@gmail.com

Ubu Editora @ubueditora
📸 Foto: @mauriciopokemon

Apoio: CLAREC.org, Universidade Emancipa @uemancipa & UFRJ

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9 comentários em “Reading Group

  1. Que momento marcante!Pensamos tanto e documentos normativos, regularizações e outras práticas burocráticas , entretanto somos provocados a pensar relacionamentos, vivências e sensações humanas.

  2. Fico feliz em reencontrar e participar mais uma vez deste espaço de encontro e extensão universitária com tal abertura às diversas linguagens, cuidado com afetos, inclusividade, escolha de leituras que chacoalham estruturas e condução graciosa, além da organização eficiente e divulgação bem sucedida!

    O primeiro encontro tocou-me em diversos momentos, desde a dinâmica de moderação ao vídeo inspirador do Nego Bispo e às falas lúcidas de participantes engajados.

    Contudo, como também tenho encontrado pelo mundo posições inspiradoras que combinam unidade na diversidade, ficou-me um questionamento quanto à profundidade do enraizamento da postura de Bispo e de algumas falas contra um certo monoteísmo monolítico, em defesa de determinado politeísmo. Acredito que tais categorias de sistemas crença podem e precisam se conciliar num campo mais amplo e profundo de encontros de mentes e corações humanos, pois podemos perceber vantagens e desvantagens em cada categoria. É totalmente compreensível e necessário que haja um contra-ataque às imposições feitas por diversas formas e agentes de colonização, mas acredito que essa mobilização ou rebelião decolonial, contracolonial ou pós-colonial – sobre as quais estou aqui para ouvir e aprender mais – devem também considerar que certas categorias, como monoteísmo ou politeísmo, nem sempre estão representadas plenamente quando vistas sob lentes críticas, ou não de uma forma que representem o todo por trás de tais sistemas, conceitos ou nomes.

    Ou seja, penso que seja válido indicar que há também monoteísmos agregadores em toda a diversidade humana, assim como há politeísmos que podem fragmentar e fragilizar certos aspectos da humanidade. Por isso, gostaria de aprender mais sobre a intenção e compreensão por trás dessas posturas críticas adotadas, de tal genuína expressividade que mereça total acolhimento, mas que me pareceram, em breves momentos, um tanto generalizadoras, mesmo em meio a sábios discursos.

    Por fim, reforço a celebração de todo este acolhimento ao diverso neste grupo de leitura. Algo que não tem sido comum de se encontrar em espaços acadêmicos, em eventos ou grupos online, ou mesmo em atividades presenciais. Essa peculiar combinação de qualidades e expressões, com criticidade e leveza em múltiplos compartilhamentos, é muito bem-vinda ao mundo. Que siga em propagação!

  3. Neste encontro inicial, partilhamos um vídeo com a fala de Nêgo Bispo e abrimos um primeiro espaço de escuta, aproximação e troca de impressões sobre sua trajetória, seu pensamento e sua obra. Este tópico permanece aberto como convite para que as pessoas participantes sigam partilhando percepções iniciais, comentários, questões e ressonâncias provocadas por esse primeiro contato com “A Terra Dá, A Terra Quer“.

  4. Neste encontro inicial, partilhamos um vídeo com a fala de Nêgo Bispo e abrimos um primeiro espaço de escuta, aproximação e troca de impressões sobre sua trajetória, seu pensamento e sua obra. Este tópico permanece aberto como convite para que as pessoas participantes sigam partilhando percepções iniciais, comentários, questões e ressonâncias provocadas por esse primeiro contato com “A Terra Dá, A Terra Quer“.

  5. Thank you everyone for coming and contributing to the discussion in the first session! If you have more thoughts about the first meeting or first impressions on Chapter 1, feel free to comment here.

    For those who read in Spanish (sadly is not in English) and want to dig in a little more, I recommend this interview where Mignolo talks about the book, addressing some interesting critiques about it: Lastra, Antonio (2008). Walter Mignolo y la idea de América Latina. Un intercambio de opiniones. Tabula Rasa, No.9: 285-310.

  6. There are many exciting aspects in the preface, but I would highlight how the author explains “dialogue” in this context of modernity, which is actually dependent on coloniality. According to Mignolo, “dialogue” can only exist with decoloniality, which makes me reflect on how a false and corrupted idea of “dialogue” was developed in Latin American regions. In other words, we believe that we dialogue, when in fact we replicate discourses framed on a hegemonic monologue.

    1. Interesting observation – “we replicate discourses framed on a hegemonic monologue” – and I agree that dialogue is only able to engage with the narratives we are able to reach, hold, create. That without the creation of new narratives we are merely replicating or swimming in existing narratives available to us. I am currently teaching a course in Chicago, Illinois, US through a liberation framework, teaching practices of decoloniality through storytelling based on stories of people located around the globe. From a global studies perspective, we puzzle together a study of global histories and learn about the many ways different people engage in practices of decoloniality, or epistemic decolonization. I think an important part of this work is understanding how our mindsets are shaped by varying discourses and an increasing understanding of how ideologies play out in larger narratives we engage with.

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